O que é adenomiose?
O que é, o que causa e como afeta a saúde da mulher
Dra Aline Evangelista Santiago
8/24/20262 min read


Você já ouviu falar em adenomiose? Se a resposta for não, você não está sozinha. Essa é uma condição do útero ainda pouco conhecida pelas mulheres, mas que afeta muitas pacientes — especialmente entre os 40 e 50 anos. O nome pode parecer complicado, mas o conceito é mais simples do que parece.
1- O que é adenomiose?
Imagine o útero como um órgão com duas camadas principais: o endométrio (a camada interna, que descama na menstruação) e o miométrio (a camada muscular, que se contrai no parto e na cólica). Veja as figuras abaixo para entender melhor...
Na adenomiose, o endométrio "invade" a musculatura do útero, como se a camada de dentro começasse a crescer para dentro da parede muscular.
Isso faz com que o útero aumente de volume e pode provocar sintomas como sangramento menstrual intenso, cólicas e dor pélvica. Em alguns casos, também pode estar associada à dificuldade para engravidar.


2- O que causa a adenomiose?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas os estudos apontam para algumas teorias:
🟠 Exposição ao estrogênio — o hormônio feminino parece estimular o crescimento do endométrio dentro da musculatura.
🟠 Cirurgias ou gestações anteriores — podem enfraquecer a “parede” que separa o endométrio do miométrio, facilitando a "invasão".
🟠 Inflamação local e alterações hormonais — criam um ambiente que favorece o desenvolvimento da doença.
🟠 Teoria das células-tronco — estudos recentes sugerem que células da medula óssea também podem participar desse processo.
3- Quais os fatores de risco?
Algumas situações aumentam as chances de uma mulher desenvolver adenomiose:
Idade entre 40 e 50 anos
Menstruação precoce (antes dos 10 anos)
Ciclos menstruais curtos (menos de 24 dias de intervalo)
Multiparidade (duas ou mais gestações)
Histórico de cirurgias uterinas (como curetagem ou cesárea)
Uso prévio de hormônios como tamoxifeno
Índice de massa corporal elevado
4- Quais os sintomas?
Cerca de 1 em cada 3 mulheres com a condição não apresenta sintoma algum. Mas quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:
🔴 Sangramento menstrual aumentado (40 a 50% dos casos)
🔴 Cólica menstrual intensa (40 a 50%)
🔴 Dor pélvica crônica (até 76%)
🔴 Aumento do volume do útero (30%)
🔴 Infertilidade (11%)
Além disso, a adenomiose pode vir acompanhada de outras condições, como miomas (20% dos casos), endometriose (11 a 21%) e pólipos endometriais (7%).
5- Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Falo sobre isso no link https://ginecoexplica.com/adenomiose. Veja lá as informações para entender melhor o que pode ser feito.
Se você gostou deste conteúdo, compartilhe com outras mulheres. Informação é o primeiro passo para o autocuidado.
Referência:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.