Adenomiose
Como diagnosticar e tratar
Dra Aline Evangelista Santiago
8/31/20264 min read


A adenomiose é uma condição em que o tecido que reveste o útero por dentro (o endométrio) cresce para dentro da camada muscular do útero (o miométrio) e que pode causar sintomas como sangramento menstrual muito intenso e dor pélvica. Falo mais detalhadamente sobre o que é a doença e o que pode causar no link https://ginecoexplica.com/o-que-e-adenomiose.
1- Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da adenomiose pode ser desafiador, porque não existe um critério único e universal. Mas existem caminhos bem estabelecidos:
1. Suspeita clínica: O médico desconfia pelos sintomas (cólica forte + sangramento intenso) e pelo exame físico (útero aumentado e dolorido ao toque).
2. Ultrassom transvaginal (USTV): É o exame de primeira linha. Tem boa precisão, mas depende da experiência do profissional que faz o exame e da qualidade do aparelho.
3. Ressonância magnética (RM): Tem precisão semelhante ou ligeiramente superior ao ultrassom. É útil quando o ultrassom não é conclusivo ou quando há suspeita de outras condições junto com a adenomiose (como endometriose ou miomas).
4. Histeroscopia: Pode ser usada em casos específicos, principalmente para formas mais superficiais da doença.
5. Diagnóstico definitivo: A confirmação só é 100% certeza com a análise do tecido após a retirada do útero (histerectomia). Por isso, na prática, o diagnóstico é fechado pela combinação dos sintomas + exames de imagem.


2- E a fertilidade?
A adenomiose pode sim atrapalhar quem deseja engravidar. Estudos mostram que:
Mulheres com adenomiose têm 28% menos chance de engravidar por fertilização in vitro (FIV)
Há maior risco de abortamento
O endométrio (revestimento interno do útero) pode não estar tão receptivo ao embrião
Por outro lado, tratamentos clínicos e cirúrgicos conservadores podem melhorar os resultados reprodutivos. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante para quem planeja a maternidade.
3- Quais as opções de tratamento?
O tratamento ideal depende dos sintomas, da idade e do desejo de engravidar.
Tratamento clínico (medicamentoso)
Não existe um remédio específico aprovado só para adenomiose, mas várias opções ajudam a controlar os sintomas:
Anti-inflamatórios (AINEs): Aliviam a dor e podem ser usados por quem quer engravidar
Anticoncepcionais orais (combinados – estrogênio + progesterona ou progestágenos isolados): Reduzem o sangramento e as cólicas. Veja mais sobre eles nos links https://ginecoexplica.com/pilula-injecao-anel-ou-adesivo e https://ginecoexplica.com/anticoncepcao-sem-estrogenio.
DIU de levonorgestrel (SIU-LNG): É a opção clínica mais estudada e eficaz. Libera hormônio diretamente no útero, reduzindo o fluxo menstrual e a dor. É considerado primeira linha no tratamento. Veja mais sobre ele nos link https://ginecoexplica.com/guia-descomplicado-sobre-o-diu.
Dienogeste: Um progestágeno de nova geração, eficaz e bem tolerado, alternativa ao DIU hormonal
Análogos do GnRH: Induzem uma menopausa temporária, mas têm efeitos colaterais (ondas de calor, perda óssea) e são usados por períodos curtos
Tratamento cirúrgico
Histerectomia (retirada do útero): É o tratamento definitivo. Indicada para mulheres que não desejam ter filhos, geralmente após os 40 anos, com sintomas intensos que não melhoraram com outros tratamentos.
Cirurgias conservadoras do útero: Para quem ainda deseja engravidar, existem técnicas que retiram apenas a área afetada (adenomiomectomia) ou reduzem a quantidade de tecido doente (cirurgia citorredutora). Os resultados são promissores:
82% das mulheres têm melhora da dor
68% têm redução do sangramento
60% conseguem engravidar após a cirurgia
Novas técnicas
Além das cirurgias tradicionais, hoje existem opções mais modernas e menos invasivas para tratar a adenomiose. São técnicas que tratam o problema sem precisar de grandes cortes:
Ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU): ondas de ultrassom são direcionadas para o local da doença, "queimando" o tecido que causa os sintomas — como uma lupa que concentra o sol em um ponto só.
Ablação por radiofrequência: uma agulha fina leva calor até a área afetada para destruir o tecido doente.
Embolização da artéria uterina: um procedimento que bloqueia o fluxo de sangue que "alimenta" a região da adenomiose, fazendo o tecido doente diminuir.
Os primeiros resultados são animadores e muitas mulheres relatam boa melhora da dor e do sangramento. Porém, ainda não se sabe ao certo como essas técnicas afetam a fertilidade no futuro — por isso, são opções que devem ser avaliadas caso a caso, conversando com seu médico.
Resumindo
A adenomiose é a invasão do endométrio na parede muscular do útero
Pode causar sintomas como cólica e sangramento intenso
O diagnóstico é feito por ultrassom ou ressonância, mas a confirmação definitiva é pela análise do tecido
O DIU hormonal (SIU-LNG) é a melhor opção clínica inicial
A histerectomia é a cura definitiva, mas só indicada quando não há desejo de engravidar
Para quem quer engravidar, existem opções conservadoras (que preservam o útero) com bons resultados
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Referência:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.