Climatério e Menopausa
Entenda essa nova fase da sua vida
Dra Aline Evangelista Santiago
7/9/20263 min read


Você já sentiu que seu corpo começou a dar sinais diferentes, como se estivesse entrando em uma nova estação? Se você tem mais de 40 anos e percebeu mudanças no seu ciclo ou noites mais agitadas, saiba que você não está sozinha. Esse período se chama climatério.
Muitas mulheres chegam ao consultório confusas com tantos termos: climatério, perimenopausa, pós-menopausa... Parece complicado, mas entender essas fases é o primeiro passo para viver cada uma delas com saúde e bem-estar.
Vamos descomplicar?
1. O Climatério: A Grande Transição
O climatério não é um momento único, mas sim todo o período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva. Imagine que é um grande "guarda-chuva" que abriga todas as mudanças que podem acontecer dos 40 até os 60 e poucos anos. É a jornada completa de amadurecimento do corpo feminino.
2. Perimenopausa: Onde as Mudanças Começam
É o período de transição, a famosa "fase da bagunça". É quando o corpo começa a dar os primeiros sinais de que a reserva de óvulos está chegando ao fim e os hormônios passam a oscilar como uma montanha-russa.
· O que acontece: Ciclos mais curtos ou mais longos, a menstruação começa vir em datas diferentes ou com fluxos variados. Podem surgir os primeiros calorões, alterações no sono e variações de humor.
· Duração: Pode durar alguns meses ou até vários anos antes da menopausa de fato.
3. Menopausa: Um Marco no Calendário
Diferente do que muitos pensam, a menopausa é apenas um dia! Ela é o nome dado à sua última menstruação da vida.
Como confirmar: Só sabemos que ela passou "olhando para trás". Se você ficou 12 meses seguidos sem menstruar, aquele sangramento de um ano atrás foi a sua menopausa. No Brasil, isso ocorre geralmente aos 48 anos.
4. Pós-menopausa: A Nova Estação
Tudo o que vem depois da data da menopausa é a pós-menopausa.
O que esperar: Aqui os hormônios (como o estrogênio) atingem níveis baixos e estáveis. É o momento de redobrar o cuidado com a saúde do coração e dos ossos, já que a proteção hormonal diminui.
Quais sinais o corpo envia?
Nosso corpo tem receptores de estrogênio em quase todos os lugares: pele, cérebro, ossos e coração. Por isso, a queda desse hormônio pode trazer:
As famosas "ondas de calor": Aquele calorão súbito que sobe pelo peito e rosto, muitas vezes acompanhado de suor.
Mudanças no sono e humor: Noites em claro ou uma irritabilidade que parece vir do nada são muito comuns.
Ciclo bagunçado: A menstruação pode vir mais forte, mais frequente, falhar alguns meses ou durar mais tempo.
Corpo e Pele: Você pode notar a pele mais seca, o cabelo mais fino ou uma maior facilidade para acumular gordura na região da barriga, com certa dificuldade para perder peso.
Região íntima: A secura vaginal é um sintoma frequente que pode causar desconforto nas relações sexuais, mas que tem solução!
Memória: É comum sentir lapsos de memória e dificuldade de concentração nesta fase.
Ossos mais fracos: Com a queda do estrogênio, os ossos podem ficar mais frágeis e as articulações mais rígidas, por isso é essencial reforçar os cuidados para prevenir fraturas e manter a mobilidade.
Saúde cardiovascular: O coração perde sua "proteção natural" feminina, tornando fundamental monitorar de perto a pressão e o colesterol para garantir uma vida longa e saudável. Pode ocorrer aumento do colesterol "ruim" e a queda do "bom", o que eleva o risco para o coração.
Por que olhar para isso com carinho?
Essa fase não é o fim da sua vitalidade, mas sim um momento de ajustar as velas. Como o estrogênio também protege nossos ossos e o coração, o climatério é o convite ideal para:
Caprichar na atividade física (ajuda nos ossos e no humor!).
Alimentar-se de forma mais consciente.
Manter as consultas de rotina em dia.
Lembre-se: Cada mulher vive o climatério de um jeito único. Se os sintomas estiverem atrapalhando sua qualidade de vida, converse com seu ginecologista. Viver essa fase com qualidade é totalmente possível! Seja através de ajustes na alimentação, exercícios físicos ou terapia hormonal, quando indicada (leia mais no link https://ginecoexplica.com/hormonios-e-menopausa), o importante é não aceitar o desconforto como "normal da idade".
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Referência:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.