Terapia Hormonal da Menopausa
Conheça as opções e escolha a melhor para você
Dra Aline Evangelista Santiago
7/21/20263 min read


Muitas mulheres chegam ao consultório com receio da Terapia Hormonal da Menopausa. A verdade é que hoje temos opções muito modernas e seguras, mas o segredo está em "ajustar o uso" para cada corpo.
Aqui estão os 3 pontos principais que você precisa saber:
1. Por que usamos dois hormônios?
Se você não retirou o útero, o tratamento padrão combina o estrogênio com a progesterona.
O Estrogênio: É ele quem alivia os calorões, melhora o sono e o humor.
A Progesterona: Ela entra no "time" com uma missão especial: proteger a camada interna do útero (o endométrio). Usar apenas o estrogênio de forma isolada poderia fazer essa camada crescer demais, o que não é saudável. A progesterona garante que tudo fique sob controle.
Se você ainda tem útero, não podemos usar apenas o estrogênio (o hormônio que alivia os calores). Precisamos associar a progesterona. Pense nela como um "escudo" que protege as paredes do útero, evitando que o estrogênio as faça crescer demais. Se você já retirou o útero (histerectomia), geralmente o estrogênio sozinho já resolve.
*** E se eu não tiver mais o útero?
Nesse caso, a proteção da progesterona não é necessária. Você pode utilizar apenas o estrogênio de forma isolada para tratar os sintomas da menopausa com total segurança.
2. Pela boca ou pela pele?
Essa é a dúvida campeã!
Via Oral (Comprimidos): É prática, mas o hormônio precisa passar pelo fígado antes de circular no corpo. Isso pode aumentar levemente o risco de trombose em algumas mulheres.
Via Transdérmica (Gel ou Adesivo): O hormônio vai direto para o sangue através da pele. É a opção mais segura para quem tem pressão alta ou risco de varizes, pois não sobrecarrega o fígado.
3. Opções modernas
· Hoje, além dos comprimidos, gel e adesivos, temos o DIU de levonorgestrel (como o Mirena), que libera a progesterona diretamente no útero. Ele é uma excelente opção para proteger o endométrio enquanto você faz a reposição de estrogênio.
4. Hormônios "Bioidênticos": Natural é sempre melhor?
Existe um marketing muito forte em cima dos chamados "hormônios bioidênticos manipulados", vendidos como uma opção "natural" e mais segura. A verdade científica: Hormônios bioidênticos são apenas substâncias com a mesma estrutura química dos que nosso corpo produz. A indústria farmacêutica já produz esses hormônios há anos, com regulação rigorosa e bulas detalhadas. O perigo mora nas fórmulas manipuladas sem regulamentação, que podem ter doses imprecisas e riscos desconhecidos.
4. E o tal "chip"? Cuidado com as promessas!
Você já deve ter ouvido falar dos implantes hormonais, frequentemente chamados de "chips da beleza". Ganharam fama prometendo emagrecimento e rejuvenescimento. Recentemente, as autoridades de saúde (como a ANVISA) proibiram o uso desses implantes para fins estéticos ou ganho de massa muscular. Como eles não permitem o ajuste da dose após colocados, os efeitos colaterais podem ser graves e imprevisíveis.
Resumindo: A reposição hormonal não é "receita de bolo". Hormônio é coisa séria, é tratamento de saúde, não estética! Sempre busque produtos regulamentados e com acompanhamento médico.O melhor método depende do seu histórico de saúde, do seu estilo de vida e de como seu corpo reage.
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Referências:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.
Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério; 2024.