Menopausa sem hormônios
Quais as alternativas para os fogachos e o ressecamento?
Dra Aline Evangelista Santiago
8/3/20263 min read


Aqui está o que as pesquisas mais recentes dizem sobre os tratamentos não hormonais:
1. Estilo de vida: O que ajuda de verdade?
Controle do peso: Estar no peso ideal ajuda muito. A gordura corporal dificulta que o corpo libere calor, o que pode piorar as ondas de calor.
Exercícios e Ioga: Embora sejam essenciais para a saúde do coração e dos ossos, a ciência mostra que eles, sozinhos, não "curam" os fogachos. Mas não pare! Eles ajudam no humor e no bem-estar geral.
Alimentação: Evitar álcool, cafeína e comidas muito apimentadas pode ajudar algumas mulheres, embora não funcione para todas.
2. Terapias para a mente e o corpo
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): É uma das opções mais recomendadas. Ela ajuda você a lidar melhor com a intensidade do calor e com as emoções desse período.
Hipnose e Acupuntura: São opções interessantes que mostram resultados promissores para algumas mulheres, ajudando no relaxamento e no controle dos sintomas.
3. Fitoterápicos e Alimentos (Soja e outros)
Você já deve ter ouvido falar da soja. Ela contém isoflavonas, que agem de forma parecida com o estrogênio. Mas atenção: elas funcionam melhor para um grupo específico de mulheres que têm bactérias "do bem" no intestino capazes de processar esses compostos. Se não funcionar para você, pode ser apenas uma questão genética!
Cimicifuga racemosa (Black Cohosh) é uma das plantas mais usadas, mas os resultados científicos ainda são divididos. Sempre use com orientação médica para proteger seu fígado.
4. Medicamentos não hormonais
Existem remédios que não são hormônios, mas que ajudam a "regular o termostato" do cérebro. Alguns antidepressivos (em doses baixas) e medicamentos para o sono têm se mostrado muito eficazes para reduzir os fogachos em até 65%.
Antidepressivos em doses baixas: Alguns medicamentos (como a Venlafaxina, Desvenlafaxina ou Paroxetina) são excelentes para reduzir os fogachos em até 65%, mesmo para quem não tem depressão.
Outras opções: Medicamentos como a Gabapentina e a Oxibutinina também mostram bons resultados, embora possam ter efeitos colaterais como boca seca ou sonolência.
Atenção: Se você teve câncer de mama e usa Tamoxifeno, converse com seu médico, pois alguns desses remédios podem interferir no seu tratamento.
5. A Nova Fronteira: Antagonistas da Neuroquinina B
Existe uma classe novíssima de medicamentos (como o Fezolinetanto) que age diretamente no centro de controle de calor do cérebro. Ele já foi aprovado nos EUA com ótimos resultados e foi recentemente aprovado pela ANVISA no Brasil! É o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para sintomas vasomotores moderados a intensos. Uma opção real para pacientes com contraindicação ou que preferem evitar hormônios.
O alvo? O cérebro. Medicamentos como o Fezolinetanto atuam diretamente no centro de controle de calor do hipotálamo, bloqueando a ação da neuroquinina B. Em vez de modular hormônios periféricos, eles agem onde o sintoma realmente se origina: no termostato cerebral.
Eficácia desde o primeiro dia de uso!
Pode elevar as enzimas do fígado, mas isso acontece em menos de 3% das pacientes. A recomendação é simples: acompanhar a função do fígado com exames de sangue durante o uso.
6. Adeus ao ressecamento vaginal
A falta de hormônio pode deixar a região íntima mais sensível. Se você não pode usar cremes hormonais, aposte em:
Lubrificantes: Para usar na hora da relação e evitar o atrito.
Hidratantes Vaginais (podem conter ácido poliacrílico ou ácido hialurônico): Diferente do lubrificante, você usa regularmente (a cada 2 ou 3 dias) para manter a saúde da mucosa.
Laser: Tecnologia nova que estimula o colágeno na região e tem trazido bons resultados para muitas mulheres.
Lembre-se: Cada mulher é única. O que funciona para sua amiga pode não ser o ideal para você. Converse com seu ginecologista para traçar o melhor plano para o seu bem-estar. Existem muitas ferramentas — além dos hormônios — para você se sentir bem, disposta e confiante novamente. O segredo é o tratamento personalizado.
Referências:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratado de ginecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan; 2025.
Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério; 2024.
Você já sentiu aquele calor repentino que parece vir do nada, ou percebeu que a intimidade ficou desconfortável por causa do ressecamento? Se a resposta for sim, saiba que você não está sozinha. Cerca de 80% das mulheres passam por isso na menopausa.
Muitas vezes, por escolha pessoal ou por alguma condição de saúde, a reposição hormonal não é uma opção. Mas a boa notícia é que a ciência avançou muito e existem caminhos alternativos para recuperar sua qualidade de vida.